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    2019-04-11


    Ogolpe militar do dia 11 de setembro de 1973, no Chile, destituiu do poder o então presidente Salvador Allende, eleito em 1970 pela Unidad Popular (up), coalizão política composta por partidos de esquerda que propunham NCT-501 “via chilena para o socialismo”. De acordo com Priscila Carlos Brandão Antunes, o poder executivo, paulatinamente, concentrou-se em Augusto Pinochet, a ponto deste, até o final do regime militar, personificar um dos governos mais autoritários da América Latina nesse contexto. Assim como Priscila Antunes, Fabiana de Souza Fredrigo e Pablo Policzer indicam o gradativo aumento do controle estatal sobre a população chilena por meio, inicialmente, do fechamento do Congresso Nacional; de decretos-leis que aumentaram o poder político do executivo, proibindo todas as atividades políticas e sancionando a ilegalidade dos partidos; e da criação da Dirección de Inteligencia Nacional (dIna) que, em nome da segurança nacional, concentrou as medidas repressivas contra os opositores do governo. Os militares buscavam definir a situação do Chile como uma guerra aos inimigos internos –os marxistas e os adeptos da política de Salvador Allende– prolongando por tempo indefinido esse suposto “estado de emergência e crise”, convertendo um governo militar em um regime ditatorial. À medida que a repressão avançava, crescia vertiginosamente o número de mortos, desaparecidos, torturados e exilados. Na perspectiva de Loretto Rebolledo González, “jamás en la historia de Chile se había registrado una salida forzada de chilenos tan masiva en tan corto plazo y hacia lugares tan diversos como la iniciada a partir de septiembre de 1973”. O massivo exílio chileno, predominante entre os anos de 1973 e 1978, resultou, em grande medida, da repressão política da Junta Militar aos militantes e políticos dos partidos da esquerda chilena, sobretudo aqueles que integraram a up e o governo de Salvador Allende. Ademais, o exílio chileno foi marcado por uma grande quantidade de intelectuais, artistas, profissionais e estudantes universitários, aos quais se agregaram, em menor proporção, operários, campesinos e técnicos. No que tange aos intelectuais exilados, não podemos deixar de mencionar sua conduta de oposição e resistência política à ditadura pinochetista ao produzirem nessas circunstâncias. Nesse sentido, em estreita relação com todo esse contexto, destacamos a Linking number criação de Araucaria de Chile, concebida como espaço de sociabilidade intelectual, de reflexão e de debate a respeito da cultura e da política chilena e latino-americana. Araucaria de Chile foi uma revista cultural e política, de clara oposição ao regime militar de Augusto Pinochet, criada em 1977, em Roma, por intelectuais chilenos no exílio. A revista, de circulação trimestral e que tinha como sede inicial a cidade de Paris, foi lançada oficialmente no primeiro trimestre de 1978. Fundada e dirigida por intelectuais ligados ao Partido Comunista de Chile (pcch), como Volodia Teitelboim, diretor de Araucaria durante seus doze anos de publicação, e Carlos Orellana, secretário de redação da revista,Araucaria de Chile veiculou e difundiu em seus textos culturas políticas de esquerda, principalmente a comunista, embora não fosse, oficialmente, porta-voz do pcch e recebesse a colaboração de intelectuais de distintas tendências políticas. Araucaria teve, no total, 48 números, publicados, sem interrupção, a cada três meses, durante doze anos (1978-1990), constituindo, como aponta Carlos Orellana no Índice General da revista, um exemplar representativo da produção cultural dos intelectuais exilados. Cada edição, em formato de livro (13.5cm de largura por 21cm de altura), possuiu cerca de 220 páginas, impressas em papel simples, sendo apenas as capas coloridas, que, em geral, eram elaboradas a partir dos trabalhos de artistas plásticos chilenos, com destaque para as criações de Roberto Matta.